Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Martha Medeiros

Painting by Eric Montoya


 
Um dia irei tirar essa mulher de dentro da flor, despi-la das suas pétalas, 
e emprestar-lhe o véu da madrugada. 

Nuno Júdice

 Eu sou o caule dessas trepadeiras sem classe, 
 nascidas na frincha das pedras...

Cora Coralina

   
Eu me polenizo ou polemizo 
 - com as flores 

 Affonso Romano de Sant'Anna
   
 Não há falta na ausência. 
A ausência é um estar em mim. 

 Carlos Drummond de Andrade

    
Há qualquer coisa dentro de mim que me magoa. 

Charles Bukowski 

 
De meu, eu só tinha o sonho. 
 Sei que é nos sonhos que os jardins existem. 

Rubem Alves 

 
Alguém dentro de mim, mente pra me proteger... 

Fabricio Carpinejar 

 
Quero continuar a ter esse olhar capaz de se encantar com coisas que vê 
mesmo quando, particularmente, 
 a minha história se torna difícil de ser lida. 

Ana Jácomo 

 
Assim eu sou... Desde que do casulo saí. 
Nada mais me prende. 

Carolina Salcides 

Eu preciso de algumas horas de solidão por dia senão “me muero”. 

Clarice Lispector 

... dá-me o que não achei na solidão das noites 
 e nem no tumulto dos dias...
 
Machado de Assis 

 Eu fico no meu canto e não me exponho 
 embora ponha a alma na janela. 

Marina Colasanti 

Sensação de confinamento outra vez, minha pele, minha casa, 
 paredes, muro, tudo me poda, me cerca de arame farpado. 

Adélia Prado 

 
Dói, de tanto medir a distância, 
 saber que não vou te tocar além da lembrança... 

Beto Guedes 

 
A tua ausência faz silêncio em todo lugar.
 
Teatro Mágico 

Painting by Hamda M. Almannai


 
e raramente em mim - concha adversa - 
me fecho nessa mudez que pesca o verso

  Adrianna Coelho 

 
me despe às cegas horas do dia 
e despede-se às claras horas do dia 

Adrianna Coelho

   
 de repente assustam-me os teus destroços abandonados 
à superfície dos meus olhos rasos de água 

Adrianna Coelho

 
aquelas noites não nos deixaram para trás
 mas sozinhos  

Adrianna Coelho

 
prendo-me ao que se move 
para retirar da dor a monotonia

Adrianna Coelho

 
na parede morta 
minha natureza toda sem assinatura

Adrianna Coelho

saturada de azul 
de um quase nu vinho púrpura magenta

Adrianna Coelho

 
inda ouço tuas conversas 
 com sombras e brumas

Adrianna Coelho

 
ainda te espero 
naquele cais que nos invade a alma

Adrianna Coelho

 
arrisca em mim o que quebre o que grite 
o que desaninhe meu tigre e meu riso

Adrianna Coelho

 
achei o jeito de anoitecer os silêncios
 cheia de luas e lenhas

Adrianna Coelho

 
esse olhar mudo de retrato 
esse jeito de ser tempestade e nenhum dique

Adrianna Coelho

 
só em teus ventos me refaço duna

Adrianna Coelho

 
 há um desejo horrível em mim; tenso bruto cru. que não cala. 
odeio o barulho que ele faz triturando os vazios.

Adrianna Coelho

 
escrevo ao acaso até o fim da linha 
 até o ponto em que me encontro febril

Adrianna Coelho

 
e haverá um hiato na minha existência onde me terás exausta e suspensa 
na plenitude breve do êxtase

Adrianna Coelho