Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Martha Medeiros

Painting by Wendy Ng



Então... o que eu faço da saudade que teima em habitar o meu dia?

Márcia.Dom


O corpo está inteiro de novo... a alma cicatrizada.
Íntegra... porém... irremediavelmente marcada!

Márcia.Dom


Sou filha do vento... Brisa solitária que sem rumo vaga.

Márcia.Dom


Vivo distante... ausente... peregrina em eterna viagem.

Márcia.Dom


... Sou Paz, sou pluma, sou leve, sou ritmo, som, risada e loucura!

Márcia.Dom


Sou, assim, inquieta... feito areia movediça.

Márcia.Dom


Sou um ser em crescimento vivendo a vida mutável em cada momento.

Márcia.Dom


Observe o silêncio e ouvirás o farfalhar de meus passos
que rondam perto de ti.

Márcia.Dom


O insano ficou para trás... ficou (como a vida) onde deve ficar.

Márcia.Dom


Eu sou o vento que anda...

Márcia.Dom


Ontem chegou o vento (fantasma dos meus medos!) varrendo as folhas velhas...

Márcia.Dom


Prendi o momento na ponta dos meus dedos...
Libertei-o... quando a saudade veio.

Márcia.Dom


Ah! Queria poder dar nomes aos sentimentos.

Márcia.Dom

Painting by Yury Darashkevich



não estou limitada ao tempo e ao espaço... embora não tenha asas
há muito aprendi a voar

Úrsula Avner


não me defino pois quando não estou entre parênteses
estou entre aspas

Úrsula Avner


não almejo a solidão
uma árvore só não faz verão
quero uma floresta

Úrsula Avner


quebrou em mim onda do mar
gigante azul de sentimentos

Úrsula Avner


Não sou de prata mas sou da lua

Úrsula Avner


sob a pele corre fio de esperança
nos olhos fio de chuva

Úrsula Avner


deixe-me parir borboletas
enquanto aguardo a carícia da aurora

Úrsula Avner


sou pedra bruta recolhida na gruta
em mármore frio talhada

Úrsula Avner


quero do tempo o instante
nada mais...

Úrsula Avner


hoje sou ave cantarolante
não quero ouro ou diamante
apenas pó de estrela e um garboso amante

Úrsula Avner


entre um suspiro e outro emergem lembranças de uma vida

Úrsula Avner


como esponja a poesia me absorve
fórceps ás avessas

Úrsula Avner


me sufoca o grito contido o lamento banido

Úrsula Avner


leva-me secretamente ao seio da noite
só lá sinto-me em casa

Úrsula Avner


saltou do casulo abriu as asas
aceitou o breve destino
partiu serena e ávida

Úrsula Avner